O Brasil de biquíni no domingo
Não sei quem foi que disse que a estatística é que nem o biquíni: mostra muita coisa mas esconde o essencial. De qualquer forma, alguns números são importantes para pensar de forma crítica a realidade brasileira contemporânea. Como os dados da última PNAD-IBGE (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios) de 2005:
1. O rendimento do trabalhador no governo Lula é de R$ 781,13 contra R$ 898 do governo FHC. Quem diria...
2. Há mais domicílios com telefone (71,6%) do que com esgoto sanitário (69,7%), o que demonstra a expansão da telefonia celular, por um lado, e a incompetência governamental para proporcionar um mínimo de infra-estrutura, embora os impostos hoje "comam" quase 38% do PIB! Os domicílios com água encanada são apenas 82,3% e com coleta de lixo somente 85,8.
3. Cerca de 21% dos brasileiros acessaram a Internet ao menos uma vez em 2005; existem computadores em 18,5% dos lares. Em termos de faixas etárias, os mais ligados na rede têm entre 15 e 17 anos (33,9% acessaram) e os menos ligados têm mais de 60 anos (3,3% acessaram). Também há desigualdades de classe, com maior concentração de computadores entre os mais ricos e diferenças regionais: apenas 4,1% dos domicílios têm computador no Maranhão, contra 28,9% em S.Paulo.
4. Há 2,5 milhões de crianças e adolescentes sendo explorados em trabalho ilegal. Pior do que isso: houve uma tendência de aumento entre 2004-2005, revertendo uma diminuição continuada nos últimos 14 anos. Vergonha total.
5. A desigualdade brasileira ainda é uma das maiores do mundo, acima da Índia, da China, do México. Mas ela vem caindo, mesmo que lentamente.
6. Tem aumentado a participação feminina no mercado de trabalho, que passou de 45,6% (do total das mulheres) em 2004 para 46,4% em 2005.
7. Ainda temos 15 milhões de analfabetos (10,2%, entre os maiores de 10 anos) e o ritmo de diminuição do analfabetismo diminuiu a partir do governo Lula. Se considerarmos o analfabetismo funcional (i.e. pessoas com menos de quatro anos de estudo), teremos um número bem mais alto: 38 milhões de pessoas. Há também sérias desigualdades regionais: a analfabetismo no Nordeste chega aos 20% contra 5,4% no Sul.
Fonte: O Estado de São Paulo, 16/9/2006, "Retratos do Brasil", de Irany Tereza e Karine Rodrigues.

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